RPG de Fórum

terça-feira, abril 10, 2018



O que é RPG?


RPG é a sigla para role-playing game que, em português, significa jogo de interpretação. Neste jogo, os jogadores assumem o papel de um personagem dentro de um cenário fictício, e constroem a narrativa em colaboração. A partir de regras pré-determinadas, e conforme as decisões de cada jogador, a história se desenvolve. O mestre – jogador responsável por resolver conflitos e observar se as regras estão sendo seguidas – é quem conduz toda a narrativa, pois contribui para o enriquecimento da história com suas tramas, e também anima os jogadores na realização de seus objetivos.


O equilíbrio entre papéis é o que mantém o bom andamento do jogo. E com isto a importância do mestre se faz presente, pois sem sua ajuda, a história poderia perder o rumo e os jogadores se cansarem. Como a narrativa é construída em conjunto, há menos competitividade, e o jogo se torna mais social.

Um breve histórico


Inicialmente o RPG surge como um jogo de mesa, em 1974, com o lançamento de D&D (Dungeons and Dragons), criado por Gary Gygax e Dave Arneson. E foi a partir de D&D que a estrutura básica dos RPGs modernos se desenvolveu. O conceito de mestre de jogo, divisão das partidas (cada partida é uma sessão, e o conjunto de sessões é uma campanha) e de acúmulo de pontos de experiências para fortalecer os personagens, são alguns dos exemplos. Com o passar dos anos, o gênero foi adaptado para outras plataformas, e se dividiu em vários subgêneros.

Hoje existem RPGs de ação ao vivo, onde jogadores se reúnem para interpretar fisicamente seus personagens em cenários retratados no mundo real. E também existem versões para a mídia eletrônica, com os MMORPGs (Massive Multiplayer Role-Playing Game), os MUDs (Multi-User Dungeon) e os Single Player RPGs (de um só jogador).

Além destes subgêneros, há também alguns subconjuntos, como os RPGs narrativo-interpretativos, que são simuladores dos RPGs de Mesa. Se enquadram neste subconjunto o sistema Play by Fórum – ou Play by Post – que permite que o jogo aconteça sem a necessidade de se estar fisicamente presente. E este é um exemplo que ilustra bem o quanto o uso criativo do gênero o enriquece.

Play by Forum RPG


O PbF tem suas origens nas grandes redes de computadores e sistemas de boletins das principais universidades dos Estados Unidos na década de 1980, se baseando nas tradições de fanzines e jogos de RPG off-line. Com o desenvolvimento e a disponibilidade de softwares de hospedagem de fóruns, e de serviços de bate-papo baseados em navegador (como o AOL e o Yahoo Chat), os rpgs se tornaram mais acessíveis ao público, e atingiu o auge de sua popularidade no início dos anos 2000.

Possui a mesma estrutura de um RPG de mesa. Os jogadores interagem entre si em um ambiente com a descrição de todos os cenários, eventos, e personagens. A trama se desenrola com o encontro entre jogadores, e os resultados dos combates são determinados através de softwares de rolagem de dados. É preciso que estes resultados sejam apresentados para que a narrativa prossiga, sem que haja trapaça ou favoritismo por parte do mestre-narrador.

Percebe-se que o sistema é bem mais puro e retorna às origens, pois a criatividade e a capacidade de se contar histórias é o que principal. Para a criação das tramas e aventuras, os jogadores podem se basear em livros, jogos, filmes, ou qualquer um destes produtos da cultura popular. As regras são mais simples, pois a ficção interativa e a escrita colaborativa são as bases do jogo, ainda que o uso do mestre seja necessário, pois é ele quem vai construir a narrativa.

Play by Orkut


No Brasil, o RPG de Fórum tornou-se popular com o Orkut. A comunidade “fake” - como eram chamados os perfis falsos da rede social - era o público que participava destes jogos. O uso de um perfil falso permitia uma melhor imersão na plataforma, pois permitia aos jogadores a visualização do personagem, e a interação em off (termo utilizados para se referir aos jogadores, ao distanciarem-se do personagem). Eram utilizados fotos, ou PPs (photo players), de celebridades, modelos, e até mesmo de pessoas comuns que se tornaram populares na rede social - como por exemplo as de Lucas Mattiuz, que era o favorito dos jogadores da plataforma de simulação da vida real - para dar vida aos personagens, e permitir que a interação entre os jogadores fosse levada para fora do ambiente do jogo. Pois a maioria destes jogadores também assumiam a identidade de seus personagens na própria rede social, o Orkut, independente do seu interesse em RPG.

É chamado de “plataforma” os RPGs baseados em livros, filmes, jogos, etc. As plataformas de PbO (Play by Orkut) mais famosas eram as de Harry Potter, Glee, Crepúsculo, Senhor dos Anéis, entre outros. Para se jogar era necessário ter um mínimo de conhecimento da história original, ainda que o uso criativo dos seus elementos narrativos fosse livre. O cenário, enredo, personagens, todos poderiam ser modificados de acordo com a necessidade do criador da comunidade. Um personagem que originalmente estivesse morto, poderia reviver. Um cenário que nunca foi mencionado, poderia ser acrescentado, etc. 

O Orkut permitia, além de tudo isto, que houvesse uma organização do espaço fictício. Como por exemplo: as comunidades poderiam ser um ambiente escolar, e os seus tópicos seriam cada cômodo existente. Na primeira postagem da comunidade ficaria a descrição do cenário, e todos os posts seguintes seriam a interação entre os jogadores. E como o Orkut tinha suporte para HTML, isso permitia que o uso de cor fosse utilizado para identificar a que grupo pertenciam cada personagem, na formatação dos textos. Os alunos poderiam utilizar a cor vermelha, e os professores e diretores as cores cinzas, por exemplo. Enfim, todos os elementos gráficos e as funcionalidades da rede social eram organizados de maneira a tornar mais dinâmica a jogatina. 

Os jogos Play by Post são escritos na perspectiva da terceira pessoa, e dependendo das regras da comunidade, podem também ser escritos na primeira pessoa. Porém, como se faz necessário o compartilhamento das cenas, cada um escreve com seu personagem sendo o foco da atenção. Por exemplo:

Narrador: O relógio bateu às 07 horas, todos os alunos e professores entraram em sala de aula.
Jogador 1: Joe abriu a porta e pediu permissão ao professor para entrar em sala.
Jogador 2: O professor, ao perceber que a porta se abria, ouviu o pedido do aluno, e permitiu que este entrasse.

Ou seja, os tópicos se tornam uma história continua, com a mensagem de abertura estabelecendo o cenário e descrevendo uma cena em que os jogadores atuam, podendo ser também a continuação de uma cena que teve início anteriormente. Assim, o enredo vai progredindo conforme avançam as ações dos personagens - que se resumem às respostas entre os jogadores - o que faz com que o ambiente mude constantemente, e a narrativa tome forma

Você pode gostar também

0 comentários

Curta a página no Facebook

Anúncio