Minhas Leituras de 2018

quinta-feira, janeiro 17, 2019



     Me parece até um equívoco colocar Minhas Leituras de 2018 como título desse post, e vocês vão entender o porquê. Acontece que nesse último ano eu não alcancei minhas expectativas de leitura, pois foi um ano bastante corrido para mim. A minha rotina da faculdade passou por uma reviravolta absurda, tanto que agora nas férias não consigo sequer entender o que estou fazendo com o meu tempo, porque é tempo livre demais, haha. E consequentemente, devido a toda essa bagunça, eu acabei lendo bem menos do que gostaria.


     Quando finalmente entrei de férias e tive o tempo necessário para dar uma adiantada nas minhas leituras, eu surtei. Quis meter os pés pelas mãos e me autossabotar, até que na última hora do ano — SIM! — eu parei e pensei: "Meu Deus, olha a loucura que eu estou fazendo! Qual é o sentido de ler, ler, e não garantir que estou absorvendo alguma coisa?". E assim, desisti de chegar aos dez livros lidos em 2018, e parei ali nos nove mesmo. Foram realmente poucos em comparação com os vinte e seis que li no ano anterior.

     Como nove não é um número que eu ache interessante, tomei a decisão de transformar isso em um Top Five das minhas leituras de 2018, que você pode conferir a seguir.


1. Mansfield Park

     Jane Austen está quase se tornando uma tradição de leitura anual. Li Orgulho e Preconceito e Emma em 2017, e li Mansfield Park, A Abadia de Northanger e Razão e Sensibilidade em 2018. Eu gosto bastante dos livros da Austen porque eles tratam com sutileza e elegância aspectos da vida que — embora se encontrem em um cenário de duzentos anos atrás, uma sociedade quase que completamente diferente —, representam bastante questões da vida moderna, como as relações interpessoais, comportamentos e a moralidade. Em Mansfield Park eu senti essa questão da moral e do decoro bem mais forte, caracterizados no julgamento que a protagonista Fanny Price faz de todos os demais personagens da obra. E antes que eu comece a divagar muito, sugiro a leitura, porque é a única forma de compreender o que estou falando aqui, haha.

Sinopse: Em Mansfield Park, Fanny Price mora de favor na casa dos tios ricos, para onde foi levada aos 12 anos, e aparenta ser uma menina doce e diz "sim" a todos os caprichos de seus tios e primos. Austen, no entanto, mostra mais uma vez porque merece as honras que recebeu: apesar da aparência frágil, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda que certamente cativará leitores de diversas idades e contextos sociais. Recheado de dissimulação, Mansfield Park revela a sociedade inglesa do século XIX, com seus costumes peculiares e muitas vezes aprisionadores.

2. Os Quatro Amores

     Eu tive uma imensa curiosidade em ler Os Quatro Amores depois que li um textinho publicado pelo Lacombi Lauss no Facebook. Ou seja, faz um bom tempo, considerando que há anos ele abandonou o a rede social. Não lembro bem se era simplesmente uma citação, ou uma reflexão. Muito provavelmente a segunda (mas não vem ao caso). Ele falava que amar é sempre ser vulnerável. E eu, que já admirava 200% o Lewis, não pude deixar de me encantar mais uma vez. Já brotou em mim aquela necessidade de ter Os Quatro Amores em mãos e devorar as páginas dele kkk. Um tempo depois eu ganhei de presente a caixa com quatro livros, da Martins Fontes. Era para eu ter lido ele ainda em 2017, mas tive que dar uma pausa. Retornei no início de 2018 e concluí. Mas ainda considero urgente ler o livro novamente, porque tem muita coisa que acredito ter deixado passar e quero ler com mais atenção. Quanto a sinopse, acho que vou trocar pela citação que me deixou maravilhada. Até porque C. S. Lewis dispensa apresentações.

"Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno."

3. Hiroshima

     Não vou falar muito sobre Hiroshima, porque já escrevi umas seis laudas de resenha sobre esse livro. Foi o primeiro livro-reportagem que li na vida e me orgulho! E foi também a principal obra que me deixou apaixonada pelo jornalismo literário. Eu passei o resto do ano com "jornalismo literário" rondando meu subconsciente kkk E esse ano de 2019 pretendo ler muito mais obras jornalísticas. Se quiser saber um pouco mais da minha opinião sobre o livro, minha resenha está publicada aqui no blog e você pode acessar pelo link que acrescentei lá embaixo. Como eu escrevi esse artigo em partes, não vou mexer mais lá, haha.

Sinopse: A bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Naquele dia, depois de um clarão silencioso, uma torre de poeira e fragmentos de fissão se ergueu no céu de Hiroshima, deixando cair gotas imensas - do tamanho de bolas de gude - da pavorosa mistura. Um ano depois, a reportagem de John Hersey reconstituía o dia da explosão a partir do depoimento de seis sobreviventes.

4. Razão e Sensibilidade

     Eu li Razão e Sensibilidade logo após ver o filme. E foi uma experiência bem curiosa, porque eu só consegui entender o filme graças a leitura da obra kk em compensação, eu pude perceber a sutileza da atuação do elenco. O desdém e preconceito de Marianne com as pessoas, e o apreço pelo decoro e a sabedoria da Elinor. No livro, então, eu pude perceber como Marianne mudou e se tornou uma pessoa mais reservada e cuidadosa com os julgamentos precipitados. Como sempre, graças aos diálogos excepcionais que a Jane Austen constrói. Fora estas e outras observações, só tenho a dizer o mesmo de sempre, que as obras da Austen são ótimas para moldar o caráter e ensinar valores.

Sinopse: Este foi o primeiro romance de Jane Austen. Publicado em 1811, logo recebeu reconhecimento do público. Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.

5. Contra a Perfeição

     O livro que mais destoa dos demais dessa lista, haha. Apesar de que o que eles, talvez, tenham em comum, é revelar o traço conservador da minha personalidade. Eu realmente me interesso por obras que fortaleçam meus valores e princípios. Contra a Perfeição trata bastante de um assunto que eu sou bem segura quanto aos meus pensamentos, que é a engenharia genética. Então, como se pressupõe, temas como o aborto e o melhoramento genético são discutidos neste livro em uma perspectiva contrária a sua aplicação, ou seja, contra a perfeição. O melhor de tudo é que não é daqueles livros que existem meramente para comprovar ou reafirmar uma determinada opinião. Ele apresenta os argumentos a favor da engenharia genética, e discute de uma forma mais reflexiva os demais pontos de vista. É um livro muito bom, e o estilo de escrita do Michael Sandel é tão simples de entender que já quero ler todos os outros livros dele. Inclusive, um amigo me recomendou uma série de palestras dele que acho bacana indicar aqui também.


Sinopse: Os avanços da ciência genética nos apresentam uma promessa e um dilema. A promessa é que em breve poderemos ser capazes de tratar e prevenir uma série de doenças debilitantes. O dilema é que apesar desses e outros benefícios, nosso repertório moral ainda está mal equipado para enfrentar as perguntas mais complexas suscitadas pela engenharia genética. Contra a perfeição explora esse e outros dilemas morais relacionados com a busca por aperfeiçoar a nós mesmos e a nossos filhos. Michael Sandel argumenta, de forma brilhante, que a revolução genética vai mudar a forma como filósofos discutem a ética e vai colocar as questões espirituais de volta na agenda política.


Considerações Finais

     Os livros foram listados por ordem de leitura, não por preferência. Se eu tivesse que decidir quais foram as leituras mais proveitosas dentre os cinco, diria que foi Hiroshima, porque eu realmente me dediquei a esse livro, considerando que fez parte de uma das minhas atividades da faculdade (e você pode conferir aqui); e também Contra a Perfeição, por se um livro de fácil leitura e assimilação. Os Quatro Amores poderia ter sido a melhor leitura de 2018, se não tivesse passado por uma quase autossabotagem, que não vem ao caso kk

     De qualquer forma, considerando tudo que falei aqui, eu cheguei a conclusão de que não faz sentido estipular uma meta tão absurda quanto a que eu tenho proposto (um livro por semana). Em 2017 essa alta expectativa me fez chegar a um número razoavelmente bom, porém, em 2018 só me causou prejuízo. Então, o plano para 2019 é favorecer leitura de qualidade e não quantidade. Tendo isso em mente, eu até montei uma lista de leitura bem flexível que apresentei aqui nesta página do blog.

     E é isso, pessoal. Esse foi meu Top Five de leituras de 2018. Torço para que em 2019 eu possa não necessariamente ler muito, mas ler bem. E que isso resulte em boas ideias de artigos bacanas para publicar nesse pobre blog que se encontra em estado de negligência. Ótimo ano para vocês, desculpa o atraso e até a próxima!

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