Dica para entrevistas || Como tomar notas mais rápido

quinta-feira, julho 26, 2018



       Um dos meus vícios de apuração jornalística, se é que posso chamar de vício, é usar o gravador. Claro que não há problema algum em usar gravador, radiojornalismo está aí para isso. Mas aqui eu estou falando especificamente do jornalismo impresso. Não sei se este artigo vai soar como papo velho, mas quando eu penso em jornalista eu vejo um ser simpático com café e bloco de notas em mãos, e caneta esferográfica no bolso sqn. Mas para mim, que sou iniciante no jornalismo, tomar notas é uma tarefa bem lenta e inconveniente. Pelo menos era o que eu achava, até que conheci esse método de anotação que vim aqui compartilhar com vocês. Se está curioso, continua lendo.


       Por que eu usava gravador? Porque o medo de esquecer as informações ou escrever algo errado é enorme. Porém, desde sempre eu reconheço que manter a confiança no uso desse dispositivo é a maior furada. Primeiro porque como já diz a Lei de Murphy: "Tudo o que puder dar errado, dará." A gente nunca sabe o que pode acontecer durante a gravação de uma entrevista. Um simples erro como esquecer de clicar o botão de iniciar já é um problemão. Imagina se você por um acaso perde o gravador, ou tem seu cartão de memória corrompido? Pode até nem ser um erro técnico. A fonte pode simplesmente se recusar a gravar, porque nem todas se sentem confortáveis com esse nível de comprometimento.

       Fora isto, o deadline no jornalismo impresso torna inconveniente o uso de gravador, afinal, tempo é dinheiro. E você não vai querer atrasar a entrega da matéria ouvindo uma entrevista de uma hora, mesmo sabendo que a maior parte dela não é relevante para se tornar notícia. Já com as notas a experiência é outra. Você pode exercitar o seu ouvido para captar as informações com objetividade, e transcrever somente o que é mais importante.

       Essa dica para entrevistas é mais uma técnica de como tomar notas com maior praticidade e rapidez. "E por que isso é importante?" Você pode me perguntar. Bem, recentemente eu estive fazendo um curso no aplicativo Coursera que é disponibilizado pela Universidade da Pensilvânia (UPenn), English for Journalism. E tanto as informações que vou falar a seguir, quanto a própria técnica, eu aprendi neste curso. Com essa técnica eu percebi que é importante que a gente desenvolva um método próprio para tornar a apuração mais proveitosa, sem cansar a fonte ou perder muito tempo.

       No curso eu descobri que enquanto uma pessoa escreve 25 palavras por minuto, outra pode falar 150 palavras a mais nesse mesmo período de tempo. Isso no inglês, é claro. Em português as palavras costumam ser mais longas, então é esperado que se escreva e fale em menor quantidade de palavras. Entretanto, esses dados já servem de ilustração. Imagina o quanto deve ser difícil para um jornalista tomar notas precisas, sem deixar passar qualquer informação importante ou perder uma boa aspas (como os jornalistas chamam uma frase que vale a pena ser citada diretamente)? Pois é. Então se você não quer passar por isso pega logo seu bloquinho e anota aí essas dicas:


1. Abreviação

       Durante a entrevista, utilizar a abreviação em algumas palavras é uma boa forma de poupar o tempo com anotações. Ao invés de escrever toda a palavra, basta escrever apenas uma parte dela de forma que você possa reconhecê-la depois quando for ler as informações que anotou. Isso porque as notas servem como uma lembrança do que você ouviu durante a entrevista, então é importante que o foco esteja no entrevistado, e não nas palavras no papel. Por isso utilizar essa técnica é ainda mais recomendável.

       Você pode abreviar as palavras de duas formas. A primeira é a tradicional, em que se escreve somente as letras iniciais que facilitem o reconhecimento. Exemplo:

Governo - gov.
Avenida - av.
Professor - prof.

       Outra forma de abreviar é cortando as vogais, e mantendo as consoantes em ordem. Exemplo:

Hospital - hsptl
Laboratório - lbrtr
Faculdade - fcldd

       É claro que dependendo do contexto as palavras se tornam mais fáceis de serem reconhecidas. Sair abreviando todas as palavras pode confundir bem mais que ajudar, então, use com moderação.

2. Símbolos

       Trocar palavras por símbolos que as representem é uma ótima dica também. Um exemplo seria o sinal de dólar ($), que pode servir para representar dinheiro. A seta para cima (↑) ou para baixo (↓) pode representar um aumento/melhoria ou redução/agravamento de alguma coisa. Outro exemplo seria o uso de (<) para "menor que" e (>) para "maior que". Então se você precisasse escrever que o governo está gastando mais dinheiro em hospitais, poderia anotar o seguinte:

Gov. gastando ↑$ hsptl

3. Recuo

       A última dica é o uso de recuo para informações interligadas, organizando-as uma abaixo da outra, e adicionando pontos ou traços para identificá-las, se preferir. Ou seja, se o governo estivesse gastando mais em hospitais por estar comprando aparelhos mais caros e empregando mais médicos, você poderia escrever da seguinte maneira:

Gov. gastando $ hsptl
       - empreg. med.
       - compr. aprlhs.

Isto serve para mostrar que essas informações estão ligadas a uma informação mais geral. E observe que em aparelhos eu tomei a liberdade de deixar o (A) no início, não tem problema adaptar se for necessário. Com o resultado deste último exemplo já deu para perceber que houve uma boa redução nas palavras escritas. Agora só resta aproveitar as dicas, criar um novo método ou adaptá-las para ter anotações cada vez mais precisas, e assim não ser mais um escravo do gravador como eu kkkk. Agradeço por ler até aqui, e comenta abaixo se tiver alguma outra dica interessante.

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