Rádio - Uma Caixinha de Emoção e Informações

quinta-feira, outubro 12, 2017


       A nostalgia daquilo que nossa geração nunca viveu: este é o sentimento que “A Era do Rádio”, um filme americano de comédia lançado em 1987, nos traz. É interessante pois se pararmos para simplesmente observar os acontecimentos mais comuns de nosso cotidiano – desde a preocupação de uma mãe com o tempo chuvoso que está por vir ao alertar o filho sobre a necessidade de levar o guarda-chuva na saída para a escola, até o dono do bar que estará oferecendo desconto nas bebidas durante o jogo de futebol no fim de tarde -, podemos perceber que todos têm algo em comum: o rádio. Pois é nesta simplicidade do dia-a-dia que descobrimos o quanto as informações que recebemos desta pequena caixa moldam nossos comportamentos, costumes e pensamentos.


       Diferente de todos os outros meios de comunicação, como a TV ou o jornal impresso, o rádio é nosso amigo e companheiro de viagem. Está conosco em todos os momentos, consola nossas dores, e nos auxilia nas grandes e pequenas coisas. Não é um mero instrumento para o entretenimento, mas um veículo capaz de se aproximar também das questões mais importantes que permeiam nossa vida em sociedade.

       A mobilidade do rádio possibilita aos ouvintes escutar as programações de seu interesse em qualquer lugar. Seja ouvir música durante o banho, se informar das notícias ao dirigir no trânsito, acompanhar o jogo do seu time favorito na praça com os amigos, ou estar atento as mensagens religiosas ao fazer as atividades domésticas. Ele se torna íntimo da gente na medida em que estamos receptivos a sua chegada, ao abrir a porta dos nossos corações e lhes dar boas-vindas ao nosso lar.

       No entanto, ao retornamos às reflexões sobre o filme A Era do Rádio, há de se notar que o rádio não é mais o mesmo. “Eu nunca me esqueci daquelas pessoas, ou daquelas vozes que costumávamos ouvir no rádio. Embora, na verdade, a cada ano novo que passa, essas vozes parecem, de fato, cada vez mais e mais distantes”, é com esta citação que o filme se encerra, e com ela surge este pensamento que também se reflete no atual cenário do rádio brasileiro.

       Na era de ouro do rádio no Brasil, as produções eram feitas de uma forma que tornava a interação com os ouvintes mais interessante. A tecnologia não era tão desenvolvida como ela é hoje, e exigia diferentes técnicas para alcançar o resultado na produção sonora, com os efeitos para a criação do cenário a partir dos elementos radiofônicos. Assim, muitos dos programas eram realizados ao vivo, em auditório, com o público presente e os ouvintes acompanhando a transmissão de casa. Era, de fato, uma característica que tornava os acontecimentos dentro da produção do rádio mais real, o tornava mais “vivo”, pois não passava a ideia de ser algo fabricado. Era como uma festa na qual todos poderiam participar.

       Entretanto, ainda que o rádio tenha perdido estas características tão marcantes do auge de sua popularidade, ele ainda contribui de forma significativa para seus ouvintes. Ele ainda coopera para a educação, discute temas relevantes, ilustra eventos históricos, reflete sobre as questões políticas e traz à tona os mais diversos assuntos, tornando o ouvinte cada vez mais engajado e consciente dos acontecimentos em sociedade.

       E apesar de toda as mudanças e adaptações necessárias para a construção do que o rádio é atualmente, ele não tem falhado no que diz respeito ao seu papel em sociedade. O processo de se reinventar, para toda e qualquer tecnologia, é constante, com o rádio não é diferente. Mas a qualidade que não se pode perder, é a do serviço que o rádio desempenha na vida do indivíduo e na sociedade.

       Tanto antigamente, quanto hoje com a existência de outros meios de comunicação, o rádio possui a vantagem de mexer com as emoções do ouvinte. Mais um fruto de sua característica de estimular a imaginação e tornar o ouvinte coautor da mensagem. Diferente da televisão, que mostra a imagem pronta, e dos jornais e revistas que não possuem a característica sonora, o rádio cria as imagens a partir dos aspectos sociocognitivos do ouvinte. Assim, determinada música, tom de voz, e até mesmo o silêncio podem contribuir para a recepção particular de cada pessoa. E isto revela a capacidade do rádio de ser também um veículo que pode alcançar e suprir as necessidades de cada ouvinte, desde ajudá-los na resolução de problemas até orientar o seu comportamento e auxiliá-los no desenvolvimento de seu senso crítico. Em sociedade, ele atua como vigilante sobre aqueles que detém o poder, contribui para o bem comum com a transmissão de debates, na divulgação da cultura artística e intelectual, e também mobiliza os recursos públicos e privados para fins pessoais ou que sejam de interesse público.

       Ainda que as antigas vozes do rádio tenham se distanciado, sendo quase esquecidas, novas vozes surgem e se fortalecem em nossos corações. A verdade é que, a única coisa que jamais pode acontecer, é elas chegarem um dia a silenciar.


Disciplina: Radiojornalismo
Faculdade Cearense

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