Como o jornalismo pode sobreviver às tranformações na era digital

terça-feira, setembro 04, 2018


Olá, caro leitor! Eu me chamo Ismia Kariny, e nesta newsletter você irá conferir as principais discussões sobre as transformações no jornalismo e como lidar com as dificuldades que a chamada “nova era digital” trouxe para o mercado.


       Prestes a completar um mês desde que a Editora Abril enxugou as redações, com a demissão de pelo menos 200 funcionários, venho refletindo sobre como o jornalismo pode sobreviver a crise pelo qual tem passado nas últimas décadas. Desde 1990, o fim do jornal impresso vem sendo decretado. O pesquisador Philip Meyer, em seu livro “Os jornais podem desaparecer”, já previu que o jornal diário não sobreviverá após 2043. Cada vez mais os leitores migram para o digital, visto que a facilidade de acesso e a gratuidade das notícias são bastante atraentes, tanto para os velhos quanto para os novos leitores.



       A ombudsman da Folha de S. Paulo, Paula Cesarino Costa vê essas mudanças de forma positiva, pois considera que essa transferência de leitores, do papel para o digital, se torna a base de sustentação para a imprensa. O New York Times é um exemplo disto, pois recentemente anunciou um aumento nas assinaturas do digital. O lado ruim é que enquanto eles comemoram o sucesso do digital, a publicidade no impresso tem se tornado cada vez mais escassa.

       Quanto a Editora Abril, vale destacar que não apenas o jornalismo sofre as sequelas desta perda, a democracia também se encontra em risco. O objetivo da editora agora é assegurar que as suas principais publicações se mantenham, na estratégia de resistir à crise mundial do jornalismo. Quando um jornal morre, o governo local perde a eficiência, é o que diz um estudo realizado por pesquisadores das Universidade de Notre Dame e Chicago. Sem a imprensa para fiscalizar os gastos públicos, os pagadores de impostos sentem o peso em seu bolso. A análise de Jones Rossi sobre este triste desfecho da Editora Abril, mostra que concordar ou não com a linha editorial da empresa é saudável, mas todos perdem com o seu fim. Afinal, “a democracia é bem melhor quando estes veículos existem e fazem seu indispensável trabalho de monitoramento do poder”.

       Como já foi dito anteriormente, a crise no jornalismo é mundial. E isso exige que o mercado comece a inovar para manter a qualidade de suas produções e o interesse dos leitores, que estão cada vez mais exigentes. A Mediashift listou as principais razões pelas quais as novas empresas fracassam, vale a pena conferir. A crise alcançou, além do New York Times, um outro grande veículo internacional: a revista Vogue. Ela se tornou um exemplo da fragilidade da imprensa diante destas transformações, pois na busca de atrair os leitores, sacrificou alguns dos princípios básicos do jornalismo, deixando a cantora pop, Beyoncé, falar “in her own words” (em suas próprias palavras). E não para por aí! As alternativas para contornar a crise tem feito várias publicações impressas investirem em outros tipos de negócios, como eventos, seminários e produções audiovisuais.


E o que deve ser feito para salvar o jornalismo?

Gustavo Nogy, colunista da Gazeta do Povo, diz que é preciso acelerar o processo de adaptação e compreensão do novo mercado e de suas possibilidades. E acusa a imprensa escrita de estar cada vez mais preguiçosa, e de subestimar a inteligência e o interesse do seu leitor. Porém, considerando que no papel ou não, todos querem jornalismo de qualidade, o impresso segue em vantagem. E é importante que ele aproveite a credibilidade que ainda possui.

Sem a pressão para ser o primeiro a noticiar, deve manter o foco em tratamento e aprofundamento das informações. Isso porque quem lê o impresso se compromete, se dedica, e não tem as mesmas distrações que a plataforma online dispõe. Por isso ele não deve simplesmente repetir as notícias do dia anterior, mas trazer conteúdo exclusivo. É o poder sensitivo do papel que possibilita uma experiência que as outras mídias não permitem. E investir em jornalismo de qualidade pode salvar, ou adiar, a declaração de óbito do impresso.

É isso por hoje, pessoal. Até a próxima!

(Em breve uma segunda parte)

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