Paixão de Cristo em Pacatuba reúne cerca de 20 mil pessoas

sábado, março 31, 2018


O espetáculo, que acontece desde 1974, é considerado o maior evento religioso do estado e o segundo maior do Nordeste



Jesus crucificado.
Foto: arquivo pessoal
Chegando em sua 44º edição, a Paixão de Cristo de Pacatuba atrai aproximadamente dez mil fiéis por ano. Número que foi ultrapassado na sexta-feira (30), somando quase 20 mil pessoas durante os dois dias do evento. Com três horas de duração, o anfiteatro localizado na Praça da Matriz estava lotado. Nas ruas do centro da cidade as fileiras de carros dificultavam a passagem, e não havia mais espaço para estacionar. Por falta de lugares disponíveis nas arquibancadas e camarotes, a entrada foi encerrada logo no início da apresentação.


O evento conta com a colaboração de mais de 200 pessoas na produção. Destes, 186 são atores, sendo a maioria moradores da região. Os cenários do anfiteatro onde acontece a encenação foram construídos em 1998, e possui réplicas do Templo de Jerusalém, do Santo Sepulcro, Palácio de Herodes, Pilatos e Caifás, entre outros. Todos idealizados por Antony Fernandes, diretor da peça.

Uchôa Negro, que fez sua estreia nesta edição interpretando Jesus, conta que a responsabilidade do papel é enorme, “além da minha emoção, eu tenho que lidar com a emoção da plateia, pois não é qualquer personagem, é o filho de Deus”. Para o ator, a cena mais impactante é o último olhar entre Jesus e Maria, “quando ele está perto de morrer e os guardas a arrastam, e eles se olham, é emocionante”, confessa.


Uma das cenas que mais comoveu os espectadores, foi a cena em que Maria toma Jesus em seus braços após a crucificação. Lourene Pinheiro, atriz que interpretou Maria, diz que para atingir o objetivo de transmitir a dor do personagem, não basta apenas atuar, é preciso pensar como mãe, se colocar em seu lugar, então a emoção surge naturalmente. Lourene admite que um dos momentos mais fortes foi na cena em que Maria pega Jesus no colo já sem vida, “ali é muito doloroso, pois a carga emocional é muito forte, eu podia sentir a vibração da plateia”, declara. Para ela o sentimento tem um peso maior "perdi um filho há três anos, e também só deu tempo meu olhar cruzar com o dele. Foi todo o contato que tive”, revela.

Maria chora após Jesus ser crucificado. Foto: Ismia Kariny

O ÍNICIO

A primeira encenação aconteceu em 1974, quando Paulo Maria Pinto teve a ideia de organizar uma apresentação nas principais ruas e avenidas de Pacatuba. Com o apoio da Igreja Católica do município e os moradores, a Paixão de Cristo foi apresentada pela primeira vez naquele ano, ganhou força, e tornou-se uma tradição. A encenação acontecia a céu aberto, e o público seguia acompanhando pelas ruas.

Na arquibancada, assistindo à representação, estava Raimundo dos Santos Jr., que na década de 1990, atuava como João Evangelista naquele mesmo lugar, e hoje é ministro da palavra e catequista da Paróquia de Pacatuba. A época de Raimundo já passou, o pouco tempo e ocupações o impedem de voltar à dramatização. Mas uma coisa não mudou: ele ainda reconhece a importância da mensagem, representada na cena da ressuscitação de Lázaro, de que Jesus traz de volta a vida àqueles em que nele acreditam – pensamento que ilustra um dos princípios da fé cristã, de que há vida após a morte. “É um exemplo de missão, um exemplo de fraternidade”, conclui.

SAIBA MAIS

Pacatuba recebeu o título oficial de capital da encenação da Paixão de Cristo do Ceará. No último ano entrou para o calendário oficial de eventos do Estado, devido a lei 16.388 de 13 de setembro de 2017.

1990, encenação a céu aberto. Imagens: Museu Histórico de Pacatuba

Universidade Federal do Ceará

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